
Alguns textos "percorrem" a internet com a falsa autoria de poetas, escritores e músicos famosos, provavelmente para dar-lhes maior credibilidade ou importância. A poesia Instantes é um deles.
Sua "criação" foi inicialmente atribuída à Jorge Luís Borges (escritor argentino morto em 1986) e posteriormente à americana Nadine Stair. Recentemente a pesquisadora Betty Vidigal defendeu em seu trabalho que Instantes não foi "criada" por nenhum dos dois. Diz à autora que "a mais antiga publicação comprovada deste texto está nas Seleções do Reader’s Digest, de outubro de 1953, e seu autor é Don Herold (1889-1966), escritor e humorista, autor de cerca de uma dúzia de livros..." De qualquer forma, independente do paternidade ou maternidade deste poema, ele é atual, bacana e portanto mereçe estar postado aqui!
Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais,
seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somentede ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia a parte alguma sem um
termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva
e um pára-quedas e, se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no
começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo.
*Foto do quadro Beijo - 1989 de Rubens Gerchman.
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