NUNCA PERCA UMA PARTIDA SEM TER JOGADO...
(Roberto Shinyashiki)
Infelizmente, muitas pessoas se preocupam mais em se proteger do sofrimento do que em ser felizes.
Os donos do futuro -as pessoas que valem a pena -são aquelas que olham para a frente.
Sabem que o pior da vida não é ser infeliz, porque ainda é possível lutar, ter um sonho e um dia realizá-lo.
O pior da vida é ser acomodado.
É nunca ter perdido uma batalha impossível.
É nunca ter arriscado, nem ousado.
Quem vive com medo de se arriscar, perde o sabor da vida.
Se você perder a partida, paciência, faz parte da vida.
Mas perca lutando...pelo menos dê trabalho a seu adversário.
Venda caro uma derrota.
Mas... nunca perca uma partida sem ter jogado!
domingo, 10 de maio de 2026
HAMILTON VAZ PEREIRA
Hamilton Vaz Pereira é o diretor, autor, ator, compositor que mudou a cena teatral na década de 1970. Isso aconteceu principalmente após Ele ter criado, em 1972, o Grupo carioca Asdrúbal Trouxe o Trombone, formado por Regina Case, Evandro Mesquita, Luís Fernando Guimarães, Patrícia Travassos, Perfeito Fortuna, Nina de Pádua e Gilda Guilhon. O Asdrúbal revelou uma geração de jovens talentos, que marcaram profundamente a dramaturgia brasileira, sobretudo no jeito de fazer comédia.De uma família de arquitetos, Hamilton de Souza Pinto Vaz Pereira nasceu em 1951 no Rio de Janeiro e descobriu a profissão na adolescência.
“Conheci o teatro entre 17 e 18 anos, quando assisti às aulas no Tablado. Nunca pensei que fosse descobrir algo que iria marcar a minha vida”.
Fez curso de teatro com Maria Clara Machado, em O Tablado, de 1968 a 1970. Foi aluno de Sergio Britto, no Teatro Senac, em 1972. No ano seguinte, estudou no Teatro Ipanema, coordenado por Ivan de Albuquerque e Rubens Corrêa.
Em 1975, dirige Ubu Rei, uma irreverente versão do texto de Alfred Jarry, confirmação do talento do conjunto. Trate-Me Leão, sua terceira direção dentro do Asdrúbal, inaugura, por meio da criação coletiva, uma nova linguagem na cena teatral brasileira ao propor um teatro que fala a língua da juventude carioca de Ipanema, construído por um processo de improvisações que resulta em narrativa fragmentada.
Em 1980, é a vez de Aquela Coisa Toda, com roteiro assinado pelo próprio Hamilton sobre uma "dispersa trupe de solitários", inspirada na experiência coletiva do grupo. Em A Farra da Terra, 1983, última montagem do grupo, o diretor constrói um roteiro baseado em imagens, textos e fotos.
Mesmo com o desmembramento do Asdrúbal Trouxe o Trombone, a proposta e o estilo do diretor se mantêm, mas não encontram em cena os parceiros de criação que identificavam sua linguagem. Os espetáculos não trazem mais as interpretações de Regina Casé e Luiz Fernando Guimarães.
Inicia-se uma fase de valorização do elemento intelectual, em que as citações se sobrepõem à ação. É a fase de Ataliba, a Gata Safira, 1988 e de Nardja Zulpério, 1989. Em 1995, em 5 x Comédia, de Vicente Pereira, Mauro Rasi, Pedro Cardoso, Luis Fernando Veríssimo e Hamilton Vaz Pereira, reúne cinco comediantes de prestígio, Pedro Cardoso, Débora Bloch, Diogo Vilela, Fernanda Torres e Luiz Fernando Guimarães, espetáculo que é sucesso de bilheteria. Em seguida, o autor e diretor retorna à interpretação livre dos clássicos, seja dos gregos, Uiva e Vocifera, 1997, ou, de William Shakespeare, Omelete, escrito por José Roberto Torero, 1998. Em 2004 Hamilton Vaz Pereira apresenta A leve: o próximo nome da terra, uma comédia que retrata a vida e as idéias de um pequeno grupo de brasileiros que reside temporariamente em terras estrangeiras. Através de uma série de pequenas odisséias, apresenta um Brasil visto de uma ótica bastante peculiar.
Em 2006 com Mordendo os Lábios, o autor e diretor parte de descontraídos relacionamentos familiares e amorosos para abordar temas contundentes.
Para ler:
Trate-me Leão.
Hamilton Vaz Pereira
Editora Objetiva Ltda
Asdrúbal Trouxe o Trombone - Memórias de uma trupe solitária de comediantes que abalou os anos 70.
Heloisa Buarque de Hollanda
Aeroplano editora e consultoria
Editora Objetiva Ltda
Asdrúbal Trouxe o Trombone - Memórias de uma trupe solitária de comediantes que abalou os anos 70.
Heloisa Buarque de Hollanda
Aeroplano editora e consultoria
RABISCOS EM ARGEL
Estou longe de tudo,de tudo o que eu gosto,
da terra tão linda que me viu nascer.
Um dia eu me queimo,
meto o pé na estrada,
é aí no Brasil que eu quero viver;
cada um no seu canto,
cada um sob um teto
a brincar com os amigos,
vendo o tempo correr.
Quero olhar as estrelas,
quero sentir a vida,
é aí no Brasil que eu quero viver.
Estou puto da vida (essa gripe não passa!)
de ouvir tanta besteira,
não me posso conter.
Um dia eu me queimo e largo tudo isto,
isto aqui não me serve,
não me serve de nada,
a decisão está tomada,
ninguém vai me deter.
Que se dane o trabalho e este mundo de merda,
é aí no Brasil/ que eu quero viver!
Não é poesia não, gente, é uma bobagem que eu rabisquei em Argel...
Oscar Niemeyer no exílio em 1969
Não é poesia não, gente, é uma bobagem que eu rabisquei em Argel...
Oscar Niemeyer no exílio em 1969
O AMOR...
Nietzsche diz que os "amantes amam mais o amor do que a pessoa amada." Coetzee, Nadine Gordimer, Amós Oz, Alan Pauls, Will Self e, eu arriscaria, todos os autores presentes na FLIP 2007, colonizam, descolonizam, ironizam, se perdem para dificilmente se achar em labirintos de parênteses, impossibilidades, dores e encantamentos para voltarem para o assunto único: o amor. Alan Pauls me diz que "todo relacionamento já contém em si mesmo a futura separação" e que ela seria, na verdade, a "obra magistral de um relacionamento". E que "é preciso que haja zonas de sombra" para que a transparência que, segundo ele, é o monstro do amor, não o acabe assassinando.
Nadine Gordimer diz "que os amantes enxergam com o terceiro olho coisas que só eles vêem na órbita do olho do amado". Will Self, o muso cínico da Flip, diz que "o homem amado, com quem a mulher divide as colheres da gaveta, é sempre ele o perverso, aquele encarregado de destruí-la”.
Fernando Pessoa (que não está na FLIP) já sabia que todas as cartas de amor são ridículas. Alan Pauls, categórico, diz que "o amante é aquele que não tem vergonha de ser ridículo". E Nelson Rodrigues, gênio trágico, já sabia que "só os imbecis têm medo do ridículo". Amar, enfim, é absurdo. É entregar-se abertamente à dor e à deselegância. Mas quem sabe também seja o elixir que faltava para a maldição contemporânea da atitude "blasé" que, em nome de não cair no ridículo, é capaz até de não amar.
Texto de Noemi Jaffe para a Folha de S.Paulo.
Festa Literária Internacional de Paraty - FLIP, julho de 2007.
*Nelson Rodrigues, considerado maldito e pornográfico por muitos, foi o homenageado da FLIP 2007. Foi uma excelente oportunidade para que todos conhecessem melhor o grande cronista do comportamento humano e sua obra, que continua atual e influenciando dramaturgos, escritores, músicos e artistas.
“Protesto, em nome da família brasileira!” (Nelson Rodrigues)
SÃO PAULO
Para comemorar a "nova fase" azul do blog estou postando um texto que recebi por e-mail de suposta autoria do publicitário-paulistano-corinthiano-WASHINGTON OLIVETTO.
Alguns dos meus queridos amigos cariocas têm mania de achar São Paulo parecida com Nova York. Discordo deles. Só acha São Paulo parecida com Nova York quem não conhece bem a cidade. Ou melhor, quem a conhece superficialmente e imagina que São Paulo seja apenas uma imensa Rua Oscar Freire.
Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma. São Paulo, entre muitas outras parecenças se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro, Lisboa no Paris, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.
São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o Emiliano e o L'Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo das pontes. Tem o deslumbrante pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país. Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em Congonhas. São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão.
São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: têm diversos grandes times de futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido 'o mais querido'. Mas, na verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras. São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas.
São Paulo já foi chamada de 'o túmulo do samba' por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Gloria Kalil.
São Paulo faz pizzas melhores que as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos os de feira.
Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror. Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta. São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins cariocas, e agora são os cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas. São Paulo teve o mau senso
Na verdade, o grande fascínio de São Paulo é parecer-se com muitas cidades ao mesmo tempo e, por isso mesmo, não se parecer com nenhuma. São Paulo, entre muitas outras parecenças se parece com Paris no Largo do Arouche, Salvador na Estação do Brás, Tóquio na Liberdade, Roma ao lado do Teatro Municipal, Munique em Santo Amaro, Lisboa no Paris, com o Soho londrino na Vila Madalena e com a pernambucana Olinda na Freguesia do Ó.
São Paulo é um somatório de qualidades e defeitos, alegrias e tristezas, festejos e tragédias. Tem hotéis de luxo, como o Fasano, o Emiliano e o L'Hotel, mas também tem gente dormindo embaixo das pontes. Tem o deslumbrante pôr-do-sol do Alto de Pinheiros e a exuberante vegetação da Cantareira, mas também tem o ar mais poluído do país. Promove shows dos Rolling Stones e do U2, mas também promove acidentes como o da cratera do metrô e o do avião da TAM em Congonhas. São Paulo é sempre surpreendente. Um grupo de meia dúzia de paulistanos significa um italiano, um japonês, um baiano, um chinês, um curitibano e um alemão.
São Paulo é realmente curiosa. Por exemplo: têm diversos grandes times de futebol, sendo que um deles leva o nome da própria cidade e recebeu o apelido 'o mais querido'. Mas, na verdade, o maior e o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras. São Paulo nasceu dos santos padres jesuítas, em 1554, mas chegou a 2007 tendo como celebridade o permissivo Oscar Maroni, do afamado Bahamas.
São Paulo já foi chamada de 'o túmulo do samba' por Vinicius de Moraes, coisa que Adoniran Barbosa, Paulo Vanzolini e Germano Mathias provaram não ser verdade, e, apesar da deselegância discreta de suas meninas, corretamente constatada por Caetano Veloso, produziu chiques, como Dener Pamplona de Abreu e Gloria Kalil.
São Paulo faz pizzas melhores que as de Nápoles, sushis melhores que os de Tóquio, lagareiras melhores que as de Lisboa e pastéis de feira melhores que os de Paris, até porque em Paris não existem pastéis, muito menos os de feira.
Em alguns momentos, São Paulo se acha o máximo, em outros um horror. Nenhum lugar do planeta é tão maniqueísta. São Paulo teve o bom senso de imitar os botequins cariocas, e agora são os cariocas que andam imitando as suas imitações paulistanas. São Paulo teve o mau senso
de ser a primeira cidade brasileira a importar a CowParade, uma colonizada e pavorosa manifestação de subarte urbana, e agora o Rio faz o mesmo. São Paulo se poluiu visualmente com a Cow Parade, mas se despoluiu com o Projeto Cidade Limpa.
Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tamisa. Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima. Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do homem.
Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais.
São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza, fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se manifesta.
São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas ruas.
E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o SESC Pompéia, o palacete Vila Penteado, o MASP, o Memorial da América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode parar, até porque tem mais carros do que estacionamentos.
São Paulo não é geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem montanhas recortadas. Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são sociais. Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente comprovada.
Entre as maiores cidades do mundo, como Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor. Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de
Janeiro. O mais importante é que com essa distância nenhuma bala perdida pode alcançar São Paulo!
Washington Olivetto é paulista, paulistano e publicitário.
Agora tem de começar urgentemente a despoluir o Tietê para valer, coisa que os ingleses já provaram ser perfeitamente possível com o Tamisa. Mesmo despoluindo o Tietê, mantendo a cidade limpa, purificando o ar, organizando o mobiliário urbano, regulamentando os projetos arquitetônicos, diminuindo as invasões sonoras e melhorando o tráfego, São Paulo jamais será uma cidade belíssima. Porque a beleza de São Paulo não é fruto da mamãe natureza, é fruto do trabalho do homem.
Reside, principalmente, nas inúmeras oportunidades que a cidade oferece, no clima de excitação permanente, na mescla de raças e classes sociais.
São Paulo é a cidade em que a democratização da beleza, fenômeno gerado pela miscigenação, melhor se manifesta.
São Paulo é uma cidade em que o corpo e as mãos do homem trabalharam direitinho, coisa que se reconhece observando as meninas que circulam pelas ruas.
E se confirma analisando obras como o Pátio do Colégio (local de fundação da cidade), a Estação da Luz (onde hoje fica o Museu da Língua Portuguesa), o Mosteiro de São Bento, a Oca, no Parque do Ibirapuera, o Terraço Itália, a Avenida Paulista, o SESC Pompéia, o palacete Vila Penteado, o MASP, o Memorial da América Latina, a Santa Casa de Misericórdia, a Pinacoteca e mais uma infinidade de lugares desta cidade que não pode parar, até porque tem mais carros do que estacionamentos.
São Paulo não é geograficamente linda, não tem mares azuis, areias brancas nem montanhas recortadas. Nossa surfista mais famosa é a Bruna, e nossos alpinistas, na maioria, são sociais. Mas, mesmo se levarmos o julgamento para o quesito das belezas naturais, São Paulo se dá mundialmente muito bem por uma razão tecnicamente comprovada.
Entre as maiores cidades do mundo, como Tóquio, Nova York e Cidade do México, em matéria de proximidade da beleza, São Paulo é, disparado, a melhor. Porque é a única que fica a apenas 45 minutos de vôo do Rio de
Janeiro. O mais importante é que com essa distância nenhuma bala perdida pode alcançar São Paulo!
Washington Olivetto é paulista, paulistano e publicitário.
...Mas, Qual a Finalidade de Ter um Blog?
Eu todo feliz divulgando meu Blog (esse aqui!) e ai alguém me pergunta:
...Mas, qual a finalidade de ter um blog? Ela ainda tentou justificar - me desculpe a ignorância, sou zero à esquerda em internet!
Argumentei que um blog é "meio" um diário, que às vezes escrevo ou encontro textos bacanas, dicas da cidade... que poderia estar dividindo tudo isso com as pessoas e que a forma "mais moderninha" de fazer isso é através de um blog. Além do que, é um ótimo e divertido exercício escrever e publicar o que “vier” a cabeça sem ninguém para censurar!!
Coisa de quem não tem o que fazer!
Não contente fui pesquisar. Afinal o que é um blog?
Um weblog, blog ou blogue é uma página da web onde você pode publicar textos com imagens sobre qualquer assunto. Num Blog você pode contar sobre suas viagens, trabalho ou qualquer outro assunto de seu interesse para qualquer pessoa do mundo que tenha acesso à Internet. As atualizações (chamadas posts) são organizadas cronologicamente de forma inversa (como um diário).
Resolvi me aprofundar no assunto e saber o que as pessoas publicavam em seus blogs. Escolhi três expoentes da cultura nacional.
No da Bruna Surfistinha ela avisa que: “Como eu já havia comentado, o lançamento do meu terceiro livro já está marcado, apenas estava esperando a confirmação do horário para então divulgá-lo. Mas como já está tudo certinho, então lá vai...” LIVRARIA SARAIVA MEGASTORE DO SHOPPING ELDORADO. 16/01 (QUARTA-FEIRA) A PARTIR DAS 19H30. “Conto com a tua presença, viu?? (Divida comigo mais este momento especial em minha vida)”.
Está vendo como é útil o blog? Já tenho programa (sem trocadilho) para quarta!
No blog da Carla Perez (aquela do tchan!) tem um release – “Dizem que baiano não nasce, estréia. E o ditado cai como luva se o aplicarmos ao furacão loiro, Carla Perez, seu nome é um dos mais comentados da última década e por onde passa arrasta multidões. Seu talento foi notado no meio do público, dançando; quando alçada ao palco, ganhou os holofotes da mídia e nunca mais saiu de lá. Primogênita de cinco irmãos... Clédson, Cleivone, Júnior e Cleise.”...Mas, qual a finalidade de ter um blog? Ela ainda tentou justificar - me desculpe a ignorância, sou zero à esquerda em internet!
Argumentei que um blog é "meio" um diário, que às vezes escrevo ou encontro textos bacanas, dicas da cidade... que poderia estar dividindo tudo isso com as pessoas e que a forma "mais moderninha" de fazer isso é através de um blog. Além do que, é um ótimo e divertido exercício escrever e publicar o que “vier” a cabeça sem ninguém para censurar!!
Coisa de quem não tem o que fazer!
Não contente fui pesquisar. Afinal o que é um blog?
Um weblog, blog ou blogue é uma página da web onde você pode publicar textos com imagens sobre qualquer assunto. Num Blog você pode contar sobre suas viagens, trabalho ou qualquer outro assunto de seu interesse para qualquer pessoa do mundo que tenha acesso à Internet. As atualizações (chamadas posts) são organizadas cronologicamente de forma inversa (como um diário).
Resolvi me aprofundar no assunto e saber o que as pessoas publicavam em seus blogs. Escolhi três expoentes da cultura nacional.
No da Bruna Surfistinha ela avisa que: “Como eu já havia comentado, o lançamento do meu terceiro livro já está marcado, apenas estava esperando a confirmação do horário para então divulgá-lo. Mas como já está tudo certinho, então lá vai...” LIVRARIA SARAIVA MEGASTORE DO SHOPPING ELDORADO. 16/01 (QUARTA-FEIRA) A PARTIR DAS 19H30. “Conto com a tua presença, viu?? (Divida comigo mais este momento especial em minha vida)”.
Está vendo como é útil o blog? Já tenho programa (sem trocadilho) para quarta!
Lá tem alguns pensamentos. Escolhi um: “Ame com intensidade. Não tenha medo de alcançar as estrelas. Doe-se!” Que lindo! A frase da arrepios!
No da Claudia Leite (Claudinha do Babado Novo) Ela nos relata os momentos íntimos da sua vida – “Eita, canseira retada. Acabo de chegar. Estou no meu quartinho. Marcio já dorme. Eu tô navegando. Fazia tempo que não dava uma passeada pela Net. Todo mundo sabe que eu adoro escrever, ler e navegar. Imaginem como fico quando demora pra que eu possa fazer tudo isso!? É como uma criança sem brincar, creiam... Aquele corre-corre de sempre, apimentado, claro, pelo fato de que vou gravar o DVD e estou com uma TPM de "dar em doido", me tirou do sério em alguns momentos"
Me pergunto: O que seria do mundo sem as informações desses blogs?
Bem, se a Bruna Surfistinha tem seu blog, Carla Perez e Claudinha Leite também tem, por não Eu?
Agora que entendi para que serve um blog e o que não publicar!
Ao trabalho!
A Procura da Batida Perfeita
Você está à procura da batida perfeita? No "cu-do-padre" tem! Também conhecido como Bar das Batidas, recebeu de seus freqüentadores este “apelidado carinhoso” por estar localizado atrás da igreja de Nossa Senhora de Monte Serrat, próximo ao Largo da Batata.Este Boteco paulistano, fundado em 1954 pelo Seu Narciso, tem uma cenografia bacana: mesas carcomidas pelo tempo, balcão revestido em fórmica, prateleiras abarrotadas de quinquilharias e garrafas e o mais pitoresco - lingüiças, queijos e mortadelas penduradas há décadas no teto, impregnadas pela fumaça e poeira da cidade. Com um sorriso maroto e cigarro no canto da boca, seu Narciso “prepara” pessoalmente as batidas que “levam” vodca, vinho branco licoroso de São Roque e um líquido avermelhado que Ele não diz o que é por dinheiro nenhum! Para petiscar ricota, provolone e calabresa.
Eu particularmente gosto muito da batida de coco, feita em um liquidificador Arno da década de 1970.
Onde fica? Na Rua Padre Carvalho, 799, Pinheiros.
Eu particularmente gosto muito da batida de coco, feita em um liquidificador Arno da década de 1970.
Onde fica? Na Rua Padre Carvalho, 799, Pinheiros.
Bauru - O Legítimo
Hoje, com aquela pressa paulistana, fui “almoçar” no Ponto Chic do Largo Padre Péricles. Resolvi comer um Bauru, o legítimo!Enquanto comia contava para um amigo a história da "invenção" do famoso sanduba. A coisa aconteceu "meio" assim: Era uma vez, nos anos de 1930, um estudante da Faculdade de Direito da USP no Largo do São Francisco - Casimiro Pinto Neto, mais conhecido pelos colegas como "Bauru" (o jovem nasceu em Bauru - região noroeste do estado de São Paulo)
Casimiro - o Bauru - freqüentavam o bar Ponto Chic, no Largo do Paissandu, lugar de encontro de artistas intelectuais e estudantes. Numa noite, com fome, pediu ao cozinheiro do Ponto Chic um sanduíche com os seguintes ingredientes: pão francês sem miolo, uma porção de queijo derretido em banho-maria, fatias de roastbeef, rodelas de tomate e pepino em conserva (picles).
Quando comia o segundo sanduba um amigo pediu um pedaço, gostou e gritou ao garçom - Me vê um desses do Bauru. A partir dai vários clientes do Ponto Chic repetiram a pedida - garçom um Bauru. Nascia assim um dos mais famosos sandubas do Brasil!!
Receita de Bauru
Divida o pão em duas partes e retire o miolo.
Coloque o roastbeef frio em uma das partes.
Sobre o roastbeef, disponha rodelas de tomate e as de pepino.
À parte, prepare o Banho-Maria, coloque um pouco de água numa assadeira para esquentar.
Coloque o queijo que, ao derreter, deve ser retirado e disposto na outra fatia de pão.
Una as duas fatias do pão.
O calor do queijo aquecerá os demais ingredientes do sanduíche.
Na Real
No bairro do Sumaré, sombreado pela antena da extinta TV Tupi, está localizado um dos marcos da baixa gastronomia paulistana - a Lanchonete e Pizzaria Real. Inicialmente um armazém, que mais tarde virou um bar, é há algumas décadas um dos pontos de encontro mais agradáveis da Cidade.Com “cara” de padaria, a Real é o lugar perfeito para comer bons sanduíches, pratos rápidos, baratos e as famosas “pizzas de balcão” -com a massa fina e um molho excelente - de mussarela, calabresa e toscana.
A freguesia do lugar é uma mistura de artistas e técnicos que fizeram e fazem TV na cidade, especialmente os que trabalhavam na Tupi, celebridades musicais da MTV, o pessoal do esporte da ESPN e uma moçada que “bate ponto” todos os dias, principalmente final de tarde.
Para aproveitar bem o “clima” da Real escolha um sábado ou domingo ensolarado, compre um jornal ou uma revista na Banca do Alexandre, escolha uma mesa do lado de fora, observe o movimento tomando um café e depois coma o MELHOR PUDIM DE LEITE de São Paulo.
Onde: Dr. Arnaldo x Alfonso Bovero - ao lado da MTV
Sumaré - São Paulo
Instantes

Alguns textos "percorrem" a internet com a falsa autoria de poetas, escritores e músicos famosos, provavelmente para dar-lhes maior credibilidade ou importância. A poesia Instantes é um deles.
Sua "criação" foi inicialmente atribuída à Jorge Luís Borges (escritor argentino morto em 1986) e posteriormente à americana Nadine Stair. Recentemente a pesquisadora Betty Vidigal defendeu em seu trabalho que Instantes não foi "criada" por nenhum dos dois. Diz à autora que "a mais antiga publicação comprovada deste texto está nas Seleções do Reader’s Digest, de outubro de 1953, e seu autor é Don Herold (1889-1966), escritor e humorista, autor de cerca de uma dúzia de livros..." De qualquer forma, independente do paternidade ou maternidade deste poema, ele é atual, bacana e portanto mereçe estar postado aqui!
Se eu pudesse novamente viver a minha vida,
na próxima trataria de cometer mais erros.
Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais,
seria mais tolo do que tenho sido.
Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico. Correria mais riscos,
viajaria mais, contemplaria mais entardeceres,
subiria mais montanhas, nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui,
tomaria mais sorvetes e menos lentilha,
teria mais problemas reais e menos problemas imaginários.
Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata
e profundamente cada minuto de sua vida;
claro que tive momentos de alegria.
Mas se eu pudesse voltar a viver trataria somentede ter bons momentos.
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
Porque se não sabem, disso é feita a vida, só de momentos;
não percam o agora.
Eu era um daqueles que nunca ia a parte alguma sem um
termômetro, uma bolsa de água quente, um guarda-chuva
e um pára-quedas e, se voltasse a viver, viajaria mais leve.
Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no
começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres
e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.
Mas, já viram, tenho 85 anos e estou morrendo.
*Foto do quadro Beijo - 1989 de Rubens Gerchman.
Spazio Pirandello - O Livro
*Já se disse que pela história dos bares de uma cidade se pode contar a história de uma época.1980, ressaca e transformação. A volta dos exilados, momento de abertura após um longo período de trevas e repressão no Brasil. Todo mundo queria sair às ruas para encontrar seus semelhantes e conversar.
Para abrigar todas essas pessoas foi criado um misto de bar/restaurante/galeria de arte por dois visionários, o irreverente ator Antonio Maschio e o jornalista Wladimir Soares. Este último, anfitrião afetuoso, com seu chapéu coco, bigode à Groucho Marx e gravatinha borboleta, agora conta no livro Spazio Pirandello, a história do lugar que foi o símbolo da agitação cultural e política dos anos 1980 em São Paulo.
Desde sua inauguração, o bar era um "cult" da intelectualidade paulista e virou mania na cidade por ser garantia de uma noite divertida e cheia de surpresas.
Maschio e Wlady eram incansáveis em inventar novidades como o Jantar da Personalidade, onde uma vez por semana nomes estrelados cozinhavam um prato especial. Ou a Calçada da Glória, onde os famosos deixavam a marca das suas mãos, assim como a Banda Pirandello que tomava as ruas numa feliz celebração da liberdade e da democracia.
Nos seus 10 anos de vida, o Spazio Pirandello era uma espécie de Olimpo de cabeças falantes. Por lá desfilavam políticos, artistas e atores reuniam-se para desenvolver projetos. Ativistas do PC do B lançavam seus livros; gatos e madames dos jardins iam para a apresentação de um novo perfume. Aconteciam exposições dos trabalhos de artistas essenciais como Flavio Império, Rebolo ou mesmo Picasso.
Todas essas invenções atraíam anônimos e famosos, em busca de diversão e das delícias gastronômicas inventadas por Maschio. Para matar a saudade, o livro traz as receitas dos pratos consagrados do restaurante como o "Isadora Duncan" e o "Rui Barbosa".
Quem freqüentou não esquece. Quem não conheceu, agora pode ter uma idéia do que era o espaço, pois o livro de Wlady reproduz o famoso Livro Negro, onde desenhos, poemas, caricaturas eram deixados pelos talentosos freqüentadores, além de fotos muitas vezes emocionantes como a do ator Paulo Autran assinando a Calçada da Glória ou do jovem Fernando Henrique Cardoso brindando com Maschio, o que torna o livro um verdadeiro documento histórico de uma época efervescente.
A casa onde morou Oswald de Andrade assume sua voz irreverente e conta ela mesma suas peripécias e vida. Afinal, qual é a cidade brasileira que não possui o seu bar repleto de histórias?
*Texto elaborado pela editora Jaboticaba.
terça-feira, 5 de maio de 2026
BAR RUIM É LINDO, BICHO
Bar ruim é lindo, bicho
Antonio Prata
Antonio Prata
Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem.)
No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão — é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
— Ô Betão, traz mais uma pra a gente — eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).
— Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?
Texto integrante do volume As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, organizado por Joaquim Ferreira dos Santos.
No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão — é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar "amigos" do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.
— Ô Betão, traz mais uma pra a gente — eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.
Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.
O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.
Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.
Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).
— Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?
Texto integrante do volume As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, organizado por Joaquim Ferreira dos Santos.
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